O que foi prometido
“No próximo mandato, continuaremos trabalhando para alcançar o desmatamento líquido zero até 2030, meta que reafirmamos.”
Programa de governo registrado no TSE (coligação Brasil Pronto Pra Mais), em . Fonte: TSE, proposta de governo de Lula, p. 70.
O que existe hoje
O Prodes, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que mede o desmatamento anual, estimou em 3.335 km² a área desmatada na Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026. É a menor taxa da série histórica e fica 41,8% abaixo dos 5.731 km² do período anterior. No Cerrado, foram 5.516,69 km², queda de 23,8%, também o menor valor da série. Os números foram divulgados em 16 de outubro de 2026.
A meta de zerar o desmatamento até 2030 não é nova. Ela consta do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), relançado em junho de 2023. Na NDC, a meta climática que o Brasil entregou à ONU em novembro de 2024, o governo descreve o caminho: eliminar o desmatamento ilegal e compensar a supressão de vegetação nativa permitida por lei, com as emissões que ela gera. Daí o termo desmatamento líquido zero.
Segundo o programa de governo, o próximo mandato vai manter os planos de prevenção e controle do desmatamento, aplicar o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica, destinar terras públicas a unidades de conservação, territórios indígenas e quilombolas ou assentamentos, e implantar o Plano Nacional de Manejo Integrado do Fogo. Essas ações dependem do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, hoje chefiado por João Paulo Capobianco, e também de estados e municípios.
O próximo dado oficial é a taxa consolidada da Amazônia para 2026, que o Inpe publica no primeiro semestre do ano seguinte. A do Cerrado já saiu como consolidada, porque o mapeamento cobriu todo o bioma. As metas concretas da fase atual do PPCDAm vão até o fim de 2027, segundo a Agência Pública. Para Cristiane Mazzetti, coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, manter a queda dependerá muito da atuação do governo federal.
Status e histórico
O status segue a metodologia publicada: cumprida quando um ato oficial entrega o núcleo do prometido; em andamento quando há ato concreto iniciado; parada quando nada anda há 180 dias; não iniciada quando não há ato oficial. O 4º mandato começa em 5 de janeiro de 2027.
- : Não iniciada. Promessa registrada.
Outras promessas de meio ambiente
- Regulamentar o mercado regulado de carbono (SBCE): não iniciada
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Fontes
- TSE, proposta de governo de Lula, p. 70
- Inpe, Brasil alcança menores taxas de desmatamento da série histórica na Amazônia e no Cerrado (16/10/2026)
- UNFCCC, NDC do Brasil, novembro de 2024 (PDF, em inglês)
- Agência Pública, plano com caminhos para zerar desmatamento da Amazônia até 2030 (05/06/2023)
- Greenpeace Brasil, nota sobre o Prodes 2026
- TSE, proposta de governo de Lula (PDF)
Perguntas frequentes
Qual foi a taxa de desmatamento da Amazônia em 2026?
Foi de 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo estimativa do Prodes divulgada pelo Inpe em 16 de outubro de 2026. O número é 41,8% menor que o do período anterior, de 5.731 km², e é o menor da série histórica. É uma estimativa preliminar: a taxa consolidada sai no primeiro semestre do ano seguinte.
O que é desmatamento líquido zero?
É zerar o saldo do desmatamento, e não proibir toda derrubada de vegetação. Na NDC entregue à ONU em novembro de 2024, o Brasil descreve o caminho como eliminar o desmatamento ilegal e compensar a supressão de vegetação nativa permitida por lei e as emissões que ela gera. A NDC cita a restauração florestal como peça central dessa estratégia.
O desmatamento no Cerrado também caiu?
Sim. O Cerrado perdeu 5.516,69 km² de vegetação nativa entre agosto de 2025 e julho de 2026, queda de 23,8% em relação aos 7.235,27 km² do período anterior, segundo o Inpe. É o menor valor da série do bioma. Esse número já é considerado consolidado.
A meta de desmatamento zero até 2030 é nova?
Não. Ela consta do PPCDAm, o plano federal contra o desmatamento na Amazônia relançado em junho de 2023, segundo a Agência Pública. O programa de governo de 2026 reafirma a mesma meta para o próximo mandato.